Publicada em 11/09/2017 às 16:05

Centro de Pesquisa em Medicina Tropical recruta crianças para terceira fase de testes da vacina contra a dengue em Porto Velho

Tem buscado sensibilizar pais de crianças, de 2 a 6 anos de idade, a etapa considerada mais difícil para os pesquisadores porque requer a autorização tanto do pai quanto da mãe.

“Participe da vacina da dengue do Butantan”. Com este apelo, o Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia (Cepem), em Porto Velho, tem buscado sensibilizar pais de crianças, de 2 a 6 anos de idade, para que se tornem voluntárias da pesquisa iniciada em julho de 2016 com a vacina que, possivelmente em 2019, será fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em dose única. De acordo com o diretor clínico do Cepem, Dhélio Batista Pereira, coordenador da pesquisa em Porto Velho e professor da Universidade Federal de Rondônia (Unir), 16 centros de pesquisa, em 13 estados, estão envolvidos, e Rondônia tem se destacado ao dar importante contribuição na terceira e última fase de testes, quando deverão receber o produto 17 mil brasileiros, entre 2 a 59 anos de idade, 1.400 deles rondonienses.

Até agora, 1.100 adultos e adolescentes recrutados participaram do teste no estado, restando agora 300 crianças entre 2 e 6 anos, a etapa considerada mais difícil para os pesquisadores porque requer a autorização tanto do pai quanto da mãe. No Brasil já foram quase dez mil vacinados entre adultos, adolescentes e uma porção menor de crianças. “É importante a participação das crianças neste teste, porque em um ano a vacina poderá ser disponibilizada, mas apenas para os adultos e adolescentes”, justificou o coordenador, reforçando que sem o teste nesta faixa etária, as crianças ficarão de fora quando a vacina for liberada para imunização gratuita da população.

Coordenador Dhélio afirma que teste mostra avanços de Rondônia

Dhélio Batista explicou que a vacina foi desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês) em parceria com o Instituto Butantan de São Paulo, com a vantagem de imunizar as pessoas contra os quatro sorotipos de dengue com apenas uma dose, além de ser distribuída em sua fórmula em pó, o que dispensa maiores cuidados durante o transporte, como ocorre com muitos injetáveis. Atualmente, existe uma vacina para dengue, a Dengvaxia, desenvolvida por outro laboratório (Senofi-Pasteur), disponibilizada no mercado na fórmula líquida, e custa entre R$ 300 a R$ 400 e são necessárias três doses (uma a cada seis meses), com eficácia de até 65% para os quatro sorotipos da dengue. Ela também só é aplicada em pessoas na faixa etária de 15 a 45 anos. Em São Paulo, onde a nova a vacina do Butantan foi testada em quase mil pessoas nas fases I e II , a eficácia (a proteção) foi de mais de 85% com a dose única.

Na região Norte, além de Porto Velho, o teste é realizado em Boa Vista (RR) e Manaus (AM). O coordenador destacou a importância da pesquisa na capital rondoniense, considerando a diversidade populacional, com diferenças genéticas resultantes da miscigenação, com índios, quilombolas, entre outros, e também pelo fato de mostrar os avanços do estado na área da pesquisa científica e tecnológica.

Ele observou que os participantes devem ser saudáveis, e que após a vacinação recebem acompanhamento durante um mês para avaliação das possíveis reações, e durante mais cinco anos, para a avaliando da eficácia, ou seja, a proteção do produto nas pessoas expostas naturalmente ao vírus da dengue durante todo este período. “Até agora as reações apresentadas mais frequentes têm sido coceira, manchas e febre, todas em grau leve, comuns também após a vacina contra o sarampo e a caxumba. Esse acompanhamento torna-se também uma forma de prevenção para outras doenças, pois cada evento de febre apresentado por um participante durante o período de acompanhamento será avaliado com exames moleculares e sorológicos para dengue, zika e chikungunya, além de avaliação clínica”, disse Dhelio Batista, informando que a equipe composta por cinco médicos, três enfermeiros, dois farmacêuticos, além dos agentes de saúde, é periodicamente acompanhada por um monitor do Butantan.

BOAS PRÁTICAS

Só nesta fase, o investimento do Ministério da Saúde é de R$ 350 milhões, R$ 7 milhões dos quais aplicados na condução do estudo e em treinamento de pessoal para ensaios clínicos no Cepem-RO, que segundo Dhélio Batista, tem conquistado importância em nível nacional com as boas práticas e o apoio do governo, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau).

Em todo o País foram registrados quase dois milhões de casos de dengue, com mil mortes entre 2015 e 2016. Em abril do ano passado, boletim epidemiológico divulgado pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde (Agevisa) apontou aumento de 264,88% nos casos de dengue em Rondônia, em relação ao mesmo período de 2015. “Felizmente os números não se repetiram em 2017, mas é preciso manter a pressão sobre o controle e a prevenção de novos casos”, ponderou o professor.

Os agentes Vagno Rodrigues e Daniel Costa afirmaram que as dificuldades no trabalho de recrutamento foram mais no início, o que eles esperam que aconteça agora quando são recrutadas as crianças.

“Precisamos de pessoas altruístas, que gostam de ajudar ao próximo voluntariamente”, reforçou o coordenador Dhélio, adiantando que os pais poderão também se dirigir ao Cepem-RO, anexo ao Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron) ou entrar em contato pelos telefones (69) 3219 6022, 9 9982 6810 e 9 9931 9169.

Autor: Assessoria
Fonte: O Nortão

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