Publicada em 08/08/2013 às 11:46

ATO LEMBRA MASSACRE EM CORUMBIARA

O número de vítimas do conflito já ultrapassou a cifra de vinte, que morreram em consequências das sequelas do conflito, além das inúmeras denúncias de desaparecidos e corpos que foram ocultados...

Entidades trazem à tona que outros confrontos podem ocorrer em virtude do problema agrário

Na manha desta quinta-feira, 08 de agosto, ocorrerá um Ato Público no Auditório da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), às 09h, no centro de Porto Velho, para marcar a passagem dos 18 anos do Massacre de Corumbiara-RO, ocorrido em 1995 na fazenda Santa Elina. O conflito ocorrido em 09 de agosto de 1995 deixou 12 camponeses e dois policiais militares mortos. O número de vítimas do conflito já ultrapassou a cifra de vinte, que morreram em consequências das sequelas do conflito, além das inúmeras denúncias de desaparecidos e corpos que foram ocultados, entre estes, pistoleiros que atuaram com a polícia militar sob a ordem do então governador Valdir Raupp de Mattos (PMDB) e do fazendeiro Antenor Duarte que não foram indiciados no processo.

O Ato, organizado pela Comissão Nacional das Ligas Camponesa, pelo CODEVISE – Comitê de Defesa das Vítimas de Santa Elina, Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia  Amazônia Ocidental – LCP/RO, CEBRASPO – Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos, contará com a participação do Diretório Central dos Estudantes – DCE/UNIR e outras entidades representativas de classe, de direitos humanos e da luta pela terra.

Após o Ato na Universidade, uma manifestação se iniciará com concentração a partir do meio dia na Praça Getúlio Vargas e seguirá pelas principais ruas da capital. Um dos destaques da manifestação, além de lembrar o ocorrido em 1995, é a de chamar a atenção para a inexistência de uma política agrária por parte das administrações do PT, de Lula à Dilma, que deixou as famílias de camponeses sem terra sem alternativa a não ser a retomada de ocupações. Da mesma forma, as organizações denunciam a inoperância do INCRA e do Ministério de Desenvolvimento Agrário que não resolve o problema agrário e age através da Ouvidoria Agrária Nacional para reprimir os camponeses sem-terra.

Nos últimos anos a política do governo Dilma para a questão agrária tem sido a de enviar a Polícia Federal, a Força Nacional e até o exército para retirar milhares de camponeses e indígenas, numa demonstração clara de que ao invés de resolver o problema agrário age com mais repressão. Em Nota divulgada, os organizadores do Ato denunciam: Além das forças repressivas, os latifundiários contam também com a atuação do Ouvidor Agrário Gercino José da Silva Filho que faz vista grossa aos crimes cometidos pelo latifúndio e também pela polícia contra os camponeses. Crimes que são denunciados sistematicamente por camponeses e apoiadores em todo Estado e nunca são investigados. Em várias áreas são frequentes os casos de reintegrações de posse relâmpagos, expulsão de famílias que há anos produzem nas terras, perseguições a lideranças camponesas, utilização de bandos armados, prisões ilegais, torturas e assassinatos. Não por acaso Rondônia figura na lista de violência do campo como o Estado com o maior número de assassinatos de camponeses. É o caso do professor Renato assassinado em abril de 2012 na região de Buritis por policiais civis que continuam impunes até hoje e sequer foram investigados. O Ouvidor Agrário criou uma Policia Agrária e rondas policiais especiais para atuarem nas áreas em conflito, tudo para garantir a propriedade de grandes latifundiários e reprimir os camponeses em luta”.

A questão agrária no Brasil é algo pendente na história de nosso país. A repressão em 1995 em Corumbiara e 1996 em Eldorado dos Carajás só impulsionou novas tomadas de terra. Os camponeses afirmam que vão continuar ocupando terras e defendendo suas posses e acusam o Governo Dilma, o INCRA, e a Ouvidoria Agrária Nacional como responsáveis por eventuais conflitos agrários com mortes, como o ocorrido em 1995 em Corumbiara.

Autor: Moclate movimento classista
Fonte: O Nortão