Publicada em 09/01/2017 às 13:53

Após ataque de bandidos, atendimento na Defensoria é suspenso

Defensoria Pública foi atacada com tiros na madruga deste sábado (8). Bandidos deixaram carta ameaçando explodir prédios públicos.

Prédio foi atingido por quatro disparos (Foto: Cassiu Afonso/ Rede Amazônica Acre)O atendimento na Defensoria Pública do Estado do Acre, em Rio Branco, foi suspenso após a sede do órgão ter sido atacada por bandidos na madrugada de sábado (7). Os criminosos efetuaram disparos e atiraram um artefato, que está passando por perícia para verificar se é ou não dinamite. As portas de vidro foram quebradas. A Defensoria estava de recesso e voltaria à normalidade nesta segunda-feira (9).

A assessoria da Polícia Civil informou que os criminosos teriam roubado um carro e amarrado o dono. Após isso, teriam ido para o prédio da Defensoria. A assessoria do órgão informou, na manhã desta segunda, que o atendimento deve ser normalizado apenas na terça-feira (10) para que os funcionários se organizem e a bagunça deixada seja arrumada.

O defensor público-geral, Fernando de Souza, porém, alega que a suspensão dos serviços nada tem a ver com o ataque, mas sim com uma pane elétrica no prédio no fim de semana.

"No fim de semana, houve oscilações em boa parte dos reatores e alguns equipamentos, inclusive, computadores foram danificados, o que impossibilitou o reinício das atividades, mas isso já está sendo corrigido", garante.

Souza informou ainda que o prejuízo com o ataque custou pouco mais de R$ 5 mil, pois o órgão teve que substituir as portas.

A dona de casa Ivanilde da Silva, de 28 anos, tentou ser atendida, mas ao chegar na sede soube que o atendimento estava suspenso. "Vim ver o processo do meu filho de oito anos, que é deficiente. Ele já recebe auxílio do governo, mas é preciso dar uma reentrada nesse processo e precisava fazer isso logo", lamenta.

Já Maria da Silva, de 45 anos, tenta resolver uma situação ainda mais complicada e tenta conseguir a guarda temporária do neto para poder fazer a matrícular dele na escola. Segundo ela, o pai do menino morreu e a mãe está presa fora do estado.

"O problema é que querem que eu diga o endereço da minha filha para poderem me dar a guarda, mas, a última vez que tive notícias, ela estava presa no Mato Grosso. Eu não tenho ideia de por onde ela está, por isso vim pedir ajuda, mas, infelizmente não teve atendimento", conta.

Carta com ameaças
Após o ataque, uma carta foi deixada no prédio e nela constam ameaças a patrimônios públicos e agentes de segurança, além de exigências, que, segundo os autores, podem causar “prejuízos incalculáveis” ao estado caso não sejam cumpridas. O autor ainda não foi identificado.

“Nois [sic] vamos expludir [sic] com bombas e dinamites, grandes surpermecados de renome dentro do estado, prédios públicos, pontes, passarelas”, diz um trecho do documento.

Em outro momento, os criminosos dizem que não haviam se manifestado anteriormente, mas, que ao adquirir estrutura suficiente para cumprir as ameaças, decidiram dar uma demonstração de força ao poder público.

“Que fique bem claro com todas as palavras [sic], que se nossas reivindicações e nossas exigências não foram atendidas ou compridas, pesso [sic] a vcs [sic] que não venham esperar atentados de pequenas proporções, pois assim como a polícia evolui, o crime também evoluiu”.

Exigências
Entre as exigências estão melhorias no sistema penitenciário, o que, segundo o autor, não seria regalia, mas garantia de direitos. Eles pedem atendimento médico semanal, odontológico, assistentes sociais e psicólogos. Eles exigem também a criação de postos de trabalho dentro dos presídios e escolas.

Além disso, os criminosos pedem que os presos do pavilhão A do Complexo Penitenciário Francisco D’Oliveira Conde sejam transferidos para outras unidades. O objetivo seria evitar um novo episódio de violência, como a rebelião ocorrida em outubro do ano passado, quando quatro detentos morreram e 19 ficaram feridos.

Por fim, os presos se opõem à transferência de presos para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Na sexta-feira (6), o secretário de Segurança Pública, Emylson Farias, disse que ao menos 44 lideranças de facções criminosas haviam sido colocadas nesse regime, como uma das medidas para evitar novas rebeliões.

 

Autor: Do G1 AC
Fonte: Do G1 AC

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